Wine & Joy
Jacuba / Fazenda DuJAPA
O Queijo Jacuba nasce no coração do Campo das Vertentes, em Coronel Xavier Chaves (MG), fruto da dedicação artesanal de produtoras como Maria Teresa Viana Boari e sua família, na Fazenda DuJAPA. Produzido com leite cru — geralmente de vacas da raça Jersey — e utilizando apenas ingredientes tradicionais (leite, pingo, coalho e sal), o Jacuba é a expressão viva da tradição mineira de queijo artesanal.
Com cerca de 22 a 23 dias de maturação, o Jacuba revela uma casca natural, com presença de mofos locais, de coloração entre amarelo-palha e dourada, que envolve uma massa cremosa e amanteigada. Em boca, sua textura macia e untuosa proporciona uma experiência acolhedora: o sabor equilibrado combina leveza e certa doçura natural, com toques delicados de nata e aroma sutil que remete à pureza do leite fresco.
O reconhecimento desse cuidado artesanal chegou em 2021, quando o Jacuba foi condecorado com o título de “Melhor Queijo Minas Artesanal do Estado” no 13º Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal destacando-se por sua “textura excelente, aroma agradável e sabor adocicado”.
O Jacuba pede simplicidade e elegância: perfeito em tábuas de queijos com pães artesanais, frutas secas, castanhas ou mel; combina muito bem com cafés especiais ou cervejas artesanais leves, evidenciando sua untuosidade sem sobrecarregar o paladar.
Mas o Jacuba também revela sua versatilidade em harmonizações com vinhos: tintos jovens ou de corpo leve, bem como vinhos brancos mais frescos e aromáticos, ressaltam sua delicadeza e realçam os sabores naturais do leite. Seja em momentos simples ou em celebrações especiais, o Queijo Jacuba convida ao prazer da degustação, carregando em cada fatia a força da tradição mineira.
Faggeta / Terra Limpa
O Fontina é um dos grandes clássicos da tradição queijeira italiana. Originário do Vale d’Aosta, nos Alpes, ele atravessa séculos como símbolo da culinária local e da maturação cuidadosa feita em cavernas naturais. De massa semi-cozida e casca lavada, apresenta textura macia, elástica e delicadamente cremosa. Seu aroma é elegante e discreto, enquanto o sabor revela notas amanteigadas, um leve dulçor e nuances sutis de nozes. É um queijo versátil, que derrete com suavidade e se destaca tanto em preparações quentes — como fondues e polentas cremosas — quanto em tábuas que pedem sutileza e equilíbrio.
Inspirado pelo espírito desse clássico alpino, o Faggeta da Terra Límpida traduz a herança europeia para o terroir brasileiro. Produzido com leite orgânico de vacas Jersey criadas em pasto, ele mantém a estrutura de massa semi-cozida que honra o estilo Fontina, mas apresenta identidade própria: uma textura macia e amanteigada, aromas lácteos delicados e amadeirado e um sabor suave, cremoso e muito elegante. Sua capacidade de derreter de forma uniforme e aveludada reforça a ligação com o Fontina, mas seus aromas frescos e sua suavidade o tornam inconfundivelmente brasileiro.
Premiado com Super Ouro no Mundial do Queijo Brasil em 2024, o Faggeta confirma a excelência da queijaria artesanal desenvolvida pela Terra Límpida e se destaca como um dos queijos mais versáteis e encantadores do país. Em harmonizações, abraça sabores que realçam sua delicadeza: geleias leves, mel, castanhas, frutas secas e pães artesanais. Na taça, combina lindamente com tintos leves como Pinot Noir e Merlot jovem, além de brancos mais estruturados, como Chardonnay. Já o Fontina encontra nos mesmos perfis vínicos parceiros ideais, especialmente quando servido derretido ou em preparações quentes, onde sua manteigosidade se intensifica e ganha profundidade.
O Faggeta traduz a criatividade da queijaria brasileira contemporânea, inspirada nos clássicos. É um queijo que encanta pela textura, pela sutileza e pela capacidade de transformar momentos simples em experiências sensoriais memoráveis.
Queijo Benedito / Queijaria Serra Bonita
Benedito e um queijo inspirado no Parmesão, seguindo, com as devidas restrições, passos alguns dos passos na receita deste icônico queijo. É feito com leite com proteína A2A2 o que traz uma digestibilidade muito melhor, principalmente para aqueles que sentem incômodos na digestão de queijos.
Queijos de massa dura com capa preta representam uma tradição importante dentro da queijaria artesanal e de guarda. A capa preta, geralmente feita de parafina alimentar, tem a função de proteger o queijo durante a longa maturação, reduzindo a perda de umidade e garantindo um processo lento e uniforme de evolução dos sabores. Esse cuidado resulta em queijos com textura firme, de corte limpo e, muitas vezes, com formação de pequenos cristais de tirosina, que revelam maturação bem-sucedida. Estes cristais são muito bem percebidos no Benedito.
No aspecto sensorial, são queijos intensos e persistentes. O aroma tende a ser complexo, remetendo a notas bastante frutadas, principalmente remetendo a frutas amarelas como abacaxi e maracujá. É possível perceber ainda um toque defumado, mas são notas de castanhas tostadas. O sabor combina equilíbrio entre salgado e adocicado, com salivação prolongada e camadas que podem variar entre amanteigado, picante suave e até lembranças de caldo de carne, dependendo do tempo de cura. Sua densidade de massa convida a mastigar lentamente, liberando nuances que evoluem a cada mordida em uma persistência constante.
Quanto à harmonização, o Benedito se conecta muito bem com vinhos tintos encorpados, vinhos do Porto ou espumantes brut, que equilibram sua potência e salinidade. Também são excelentes parceiros de cervejas maltadas, como Bocks e Ales mais robustas. Em tábuas de degustação, brilham ao lado de mel, frutas secas e pães artesanais, além de enriquecer saladas, pratos quentes como risotos, massas gratinadas e carnes ao forno.
Lá de Madre 12 meses / Fazenda Santa Mônica
No coração das montanhas de Minas Gerais, mais precisamente em Madre de Deus de Minas, a arte de inovar e fazer queijos autorais se encontram em cada detalhe da produção da Fazenda Santa Mônica. É lá que nasceu o Lá de Madre, um dos queijos mais premiados do país, criado por Renato Queiroz de Castro e Viviane Campos de Castro, um casal que sempre gostou de viajar e apreciar bons vinhos e queijos.
A história do projeto começa em 2016, quando os dois decidiram transformar a fazenda, que era um projeto só para aproveitar a pacata vida rural, em uma referência nacional na produção de leite. Há pouco mais de 2 anos resolveram criar uma receita autoral de queijos de longa maturação. Inspirados por antigas referências da própria região — onde imigrantes dinamarqueses já haviam produzido queijos no início do século XX —, Renato e Viviane criaram um modelo de produção com excelência e foram buscar referências na Europa, mais precisamente Holanda e Suíça.
Um dos destaques da fazenda é o programa “Adote um Queijo”, que convida os apreciadores a acompanharem de perto a produção, conhecerem os animais e entenderem como cada etapa do processo influencia no queijo. Você pode escolher entre as versões de 6, 9, 12 e 15 meses. Apesar do longo tempo de maturação, a textura amanteigada está presente em todos. Quanto mais maturado, mais complexo.
Ao cortar, revela uma massa firme e amanteigada, com cristais de tirosina que conferem leve crocância e textura em boca como poucos queijos podem proporcionar. O aroma traz notas maduras, levemente frutadas, e o sabor é intenso, com toques de amêndoas, frutas secas e um final picante, típico dos queijos longamente maturados.
É um queijo de presença marcante, mas extremamente equilibrado — daqueles que envolvem o paladar e ficam na memória, pois tem a capacidade de lhe causar uma complexidade sensorial tão completa que fica difícil de esquecer deste queijo.
O Lá de Madre de 6 meses vai muito bem com vinhos tintos leves, como um Pinot Noir, ou mais encorpados, fica à escolha. Também é excelente com Chardonnay barricado, que ressalta sua cremosidade. Para acompanhamentos, pense em geleias, mel e castanhas. Parece que a geleia de damasco com amêndoa e cointreau foi pensada para este queijo, pois ela tem uma capacidade fora do comum de destacar todos os aromas dele.
Por ser um queijo maturado, ele deve ser mantido na geladeira, entre 4 °C e 7 °C, e retirado com cerca de 30 minutos de antecedência para atingir a temperatura ideal e liberar todo seu aroma e sabor. Depois de aberto, o ideal é consumi-lo em poucos dias.
