Julho 2026
A AssinaCURA de julho chegou... e é a melhor época do ano para aproveitar queijos artesanais selecionados.
O Faggeta é a leitura brasileira de um clássico das montanhas italianas: casca lavada, massa semicozida e leite orgânico de vacas Jersey da Terra Límpida, a menos de 15km de MG. Entre 90 e 120 dias de cura, a massa ainda fica macia e o sabor, suave e amanteigado.
O Antônia é um dos queijos autorais de Julia Ribas, eleita a segunda melhor queijeira do Brasil neste ano, e de Caio, seu marido, da Quinta das Magnólias, em Bragança Paulista. Feito com leite cru de vacas Jersey e maturado em madeira, tem casca praticamente imperceptível e sabor lácteo, com notas ácidas e levemente frutadas.
Vindo de Itanhandu, na Mantiqueira, o Pedra Branca é irmão mais jovem do premiado Pedra da Mina, da Pérola da Serra. Maturado 30 dias no mesmo porão subterrâneo, tem massa de leite de búfala firme e cremosa, com notas levemente adocicadas e um toque de nozes. Uma boa opção para acompanhar Chardonnay ou Merlot leve.
Já o Meia Cura é o queijo de cabra da Di Capre, queijaria de Júlio César e Iracema, também em Itanhandu. É uma versão mais jovem do Caprino Romano da casa, com apenas 21 dias de cura, textura macia e sabor suave, o que o torna ideal para o dia a dia. O leite de cabra, aliás, costuma ter digestibilidade melhor que o leite de vaca.
Para acompanhar, o café especial Dupan, com torra fresca, e para fechar, a bananada cremosa com canela da Zélia, feita há mais de um século na Fazenda Jatiboca, em Ponte Nova.
Conheça os queijos desta edição
Faggeta | Terra Límpida — Cássia dos Coqueiros, SP
Poucas técnicas de queijo carregam tanta história quanto a casca lavada, prática comum nas regiões montanhosas do norte da Itália, onde queijeiros lavam periodicamente a superfície do queijo durante a maturação para controlar o desenvolvimento de fungos e leveduras. É essa tradição que a Terra Límpida recriou no interior paulista, dando origem ao Faggeta.
A queijaria fica em Cássia dos Coqueiros, a cerca de mil metros de altitude, e nasceu em 2014 a partir de um projeto que já existia na Itália desde 1988, na fazenda orgânica Poggio di Camporbiano, em San Gimignano. Patrizia Narcisi e Piero Alberti trouxeram para o Brasil o mesmo espírito: produção certificada orgânica, bem-estar animal auditado pelo Instituto Certified Humane, Selo Arte e leite exclusivamente das próprias vacas da raça Jersey, criadas soltas no pasto.
O Faggeta é um queijo autoral inspirado no Fontina italiano. Sua massa é semicozida e passa por lavagens periódicas da casca durante a maturação, que dura entre 90 e 120 dias. Esse processo favorece o desenvolvimento de bactérias específicas na superfície, que vão amaciando o queijo de fora para dentro e concentrando aroma. Quanto mais avança a maturação, mais pronunciado fica o aroma da casca, característica que queijeiros europeus tradicionalmente associam a um queijo saudável e bem cuidado.
Na aparência, o Faggeta tem casca alaranjada e levemente úmida, resultado das lavagens periódicas. Por dentro, a massa é macia e homogênea, de cor amarelo-palha. O aroma é suave, sem a intensidade característica de outros queijos de casca lavada mais curados. Ao paladar, o sabor é amanteigado e suave, com leve acidez láctica e um final levemente adocicado, herança do leite de vacas Jersey.
Para harmonizar, um Chardonnay com leve passagem por carvalho acompanha bem a cremosidade e as notas amanteigadas do queijo. Uma alternativa mais fresca é um Sauvignon Blanc de boa acidez, que contrasta com a untuosidade da massa. Em cerveja, uma Witbier belga, com notas de trigo e especiarias, completa bem a experiência. Para quem prefere destilados, um gin botânico com tônica seca é uma opção interessante ao lado deste queijo.
Sirva o Faggeta em temperatura ambiente, retirando-o da geladeira ao menos 20 minutos antes de servir, com pão rústico e frutas frescas ao lado. Se preferir uma versão quente, aqueça levemente até ficar quase derretido e sirva sobre torradas, aproveitando a cremosidade típica da massa semicozida.
Antônia | Quinta das Magnólias — Bragança Paulista, SP
Existem queijos que seguem receitas centenárias, e existem queijos que nascem de escolhas autorais, sem espelhar nenhuma referência específica. O Antônia pertence a essa segunda categoria: um dos queijos assinados por Julia Ribas, da Quinta das Magnólias, em Bragança Paulista, interior de São Paulo.
Na Quinta das Magnólias, Julia conduz com Caio, seu marido, praticamente todas as etapas da produção, desde o cuidado com o rebanho de vacas Jersey até a maturação final de cada peça. Diferente de queijarias que seguem uma técnica europeia de referência, ela desenvolveu receitas próprias ao longo dos anos, batizadas com nomes dos animais da propriedade, como Antônia, Capitu e Celina. O leite utilizado é cru, produzido pelas próprias vacas, criadas em sistema de bem-estar animal num pequeno vale cercado de mata.
A maturação do Antônia acontece em madeira, método que permite trocas constantes entre o queijo e o ambiente ao seu redor. Cada peça responde às variações naturais de temperatura e umidade ao longo do ano, o que significa que lotes diferentes do mesmo queijo podem apresentar nuances distintas de sabor e textura. É uma característica assumida pela produtora, que trata essa variação como parte da identidade do queijo, não como uma falha de processo, o que torna o queijo ainda mais natural. Vale lembrar que, por não haver padronização artificial entre lotes, é normal encontrar pequenas diferenças de cor e textura entre peças de meses diferentes, o que reforça o caráter exclusivo de cada produção.
Visualmente, o Antônia apresenta uma casca imperceptível e uma massa fechada, macia e amarelo-palha. O aroma traz notas lácteas, ácidas e levemente frutadas. É um queijo muito funcional para o dia a dia, pela sua leveza.
Se quiser servi-lo em tábuas, uma boa harmonização é um Pinot Noir leve e frutado, que dialoga bem com a acidez e a untuosidade do queijo. Em cerveja, uma Amber Ale, de perfil maltado e levemente tostado, é uma boa companhia. Para os destilados, uma cachaça envelhecida em carvalho, servida pura, complementa bem o queijo sem disputar espaço com ele. Harmonizar com café especial também é uma ótima pedida.
O Antônia é uma boa porta de entrada para quem quer entender queijos autorais brasileiros, feitos sem fórmula fixa e moldados pela mão de quem produz, peça a peça, sem repetir exatamente o resultado anterior.
Pedra Branca | Pérola da Serra — Itanhandu, MG
Na Serra da Mantiqueira, em Itanhandu, um antigo silo subterrâneo com mais de cem anos foi transformado em câmara de maturação. É ali, sob temperatura constante de 15°C, que a Queijaria Pérola da Serra amadurece o Pedra Branca, um dos queijos de leite de búfala mais conhecidos da região.
A propriedade pertence à família Pinto Cunha, conduzida por Carlos Alberto, veterinário de formação, ao lado dos filhos, também veterinários. O Pedra Branca é descrito como irmão mais jovem do Pedra da Mina, queijo de longa maturação e maior renome da casa: ambos são curados no mesmo silo, mas o Pedra Branca passa por um período mais curto, de 30 dias, porque é consideravelmente menor.
Esse tempo de maturação é suficiente para desenvolver uma casca (comestível) com mofos naturais, resultado do ambiente controlado do silo, sem que o queijo perca a cremosidade característica do leite de búfala. Todos os produtos da Pérola da Serra possuem o Selo Arte. É importante destacar que o leite de búfala também tem perfil nutricional diferente do leite de vaca, com menos colesterol e mais cálcio, o que se reflete na textura mais untuosa do queijo.
Na aparência, o Pedra Branca tem casca fina, com manchas naturais de mofo branco e acinzentado. Por dentro, a massa é firme, mas ainda cremosa, de cor amarelo-clara. O aroma é discreto, e o sabor é suave, com notas levemente adocicadas e um final que lembra nozes, sem a acidez mais pronunciada de queijos de leite de vaca com maturação semelhante.
Para harmonizar, um Chardonnay com leve passagem por barrica acompanha bem a cremosidade do queijo, enquanto um Merlot leve, de taninos macios, é a opção ideal entre os tintos. Em cerveja, uma Witbier refrescante contrasta com a untuosidade da massa.
Sirva o Pedra Branca meia hora após retirá-lo da geladeira, em fatias finas, acompanhado de frutas secas e castanhas. Ele também funciona bem levemente aquecido, como recheio de sanduíches quentes ou sobre massas.
Meia Cura de Cabra | Di Capre — Itanhandu, MG
Nem todo queijo de cabra tem sabor acentuado. O Meia Cura da Di Capre é a prova de que o leite caprino também pode resultar num queijo suave, delicado e de fácil aceitação, mesmo para quem nunca experimentou queijos dessa categoria.
A Di Capre fica na zona rural de Itanhandu, na Serra da Mantiqueira, a 1.200 metros de altitude, e é conduzida por Júlio César e Iracema. O casal criava cabras e vendia o leite para laticínios da região de São Paulo, até que, em 2020, no início da pandemia, decidiu investir na produção própria de queijos. Hoje o rebanho tem cerca de 180 cabras, das quais 120 em lactação, fornecendo leite para um portfólio de mais de vinte tipos de queijo, entre frescos, curados e aromatizados com azeite, alecrim, pimenta e até grãos de café.
O Meia Cura é a versão mais jovem do Caprino Romano da casa, releitura da queijaria para o clássico italiano Pecorino Romano, adaptada ao leite de cabra. Enquanto a versão de longa maturação desenvolve um perfil mais firme e picante, este passa por uma cura mais breve, de cerca de 21 dias, o que preserva textura macia e sabor mais suave. Em 2023, o queijo recebeu medalha de prata no VI Prêmio Queijo Brasil, uma das mais de vinte medalhas já conquistadas pela queijaria em poucos anos de produção, prova do reconhecimento rápido que a Di Capre construiu na região.
Na aparência, o Meia Cura tem casca fina e clara, e massa semicozida de cor branca uniforme. O aroma é discreto, sem a acidez mais marcante de outros queijos caprinos mais maturados. Ao paladar, é levemente salgado, com um toque amanteigado e final limpo, sem amargor, o que faz dele uma boa porta de entrada para quem tem receio do sabor mais forte associado ao leite de cabra.
Para harmonizar, um espumante Brut traz frescor e acidez que equilibram bem a untuosidade do queijo. Entre os tintos, um Pinot Noir leve também funciona. Em cerveja, uma Witbier ou uma Blonde Ale, de perfil leve e cítrico, completam a experiência. Para os destilados, uma cachaça branca com limão é uma opção refrescante ao lado deste queijo.
Sirva o Meia Cura em temperatura ambiente, em fatias finas, sobre torradas ou como parte de uma salada com folhas verdes e mel.
Café Dupan | Fazenda Sagarana — Chapada de Minas, MG
Quando falamos em café especial, estamos falando de um padrão de qualidade reconhecido pela Specialty Coffee Association: grãos que atingem nota mínima de 80 pontos numa escala sensorial de 100, avaliados por profissionais certificados. O café Dupan, que compõe a caixa deste mês, vai além desse piso: seus lotes atingem no mínimo 84 pontos, nota que o coloca entre os cafés especiais de qualidade superior.
A marca nasceu em homenagem a Ivan, o primeiro produtor fornecedor da Dupan, e desde então se dedica a manter no mercado nacional os melhores cafés produzidos no país: os cafés mineiros. O grão vem de uma única fazenda, a Fazenda Sagarana, situada a cerca de 900 metros de altitude na Chapada de Minas, região reconhecida pela produção de cafés de origem única. A propriedade possui certificação Rainforest Alliance, que atesta práticas sustentáveis nas áreas social, econômica e ambiental.
A Dupan oferece o grão 100% arábica em duas torras, ambas presentes neste mês: a torra média, que busca o ponto de equilíbrio entre acidez, doçura, amargor e corpo, e a torra intensa, que passa por mais tempo de torração, resultando em maior caramelização dos açúcares e um corpo mais acentuado.
Na torra média, o café tem corpo cremoso, com notas de castanhas, frutas amarelas doces e chocolate ao leite, acidez cítrica equilibrada e retrogosto longo. Já na torra intensa, o perfil ganha mais corpo e amargor, com aroma de chocolate e sabor de castanhas e frutas secas, num equilíbrio entre acidez e amargor mais robusto.
Fomentar o consumo de café especial de pequenos produtores, como os da Chapada de Minas, traz benefícios que vão além da xícara: preço justo, já que o café especial é remunerado pela qualidade e não pela cotação genérica da bolsa de commodities; incentivo a práticas sustentáveis, como as certificações que a Fazenda Sagarana já adota; preservação da agricultura familiar, marca registrada da região; e maior rastreabilidade entre quem produz e quem consome.
Para preparar, respeite a proporção de 10g de café para cada 150ml de água, moagem compatível com o método escolhido, e água entre 90°C e 96°C, nunca fervente. Ao escolher o café Dupan na caixa deste mês, o assinante da AssinaCURA apoia essa cadeia mais justa e mais transparente, direto da Chapada de Minas até a xícara em casa.
Bananada Cremosa com Canela | Zélia — Ponte Nova, MG
Nem toda goiabada é a mais conhecida de uma família: em Ponte Nova, no interior de Minas Gerais, a Zélia também é sinônimo de bananada, feita com a mesma receita e nos mesmos tachos de cobre que tornaram a marca famosa em todo o Brasil.
A história começa na década de 1920, quando as irmãs Teêta, Linhazinha e Marta Mol fundaram, na fazenda da família, a Fábrica de Goiabada São José. O negócio mudou de nome algumas vezes ao longo das décadas, até que, em 1960, Olavo Gonçalves Mol, irmão das fundadoras, assumiu a produção e a rebatizou como Goiabada Zélia, nome que carrega até hoje. Atualmente, quem conduz o negócio, na Fazenda Jatiboca, em Ponte Nova, é Renato Mol, neto do casal fundador.
A Bananada Zélia segue a mesma lógica da goiabada mais famosa da casa: apenas banana e açúcar, cozidos lentamente em tacho de cobre sobre fogão a lenha, sem conservantes. Nesta versão específica, uma dose de canela é adicionada durante o cozimento, o que reforça o aroma e traz um contraponto quente ao doce da fruta. O resultado é um doce cremoso, de cor escura, com sabor concentrado de banana e um final aromático de canela.
O reconhecimento da casa Zélia já rendeu prêmios como o Expressões das Gerais, do jornal Estadão, em 2013, e o Excelência Empresarial, da Cia de Talentos, em 2014. A tradicional Goiabada Cascão da família, inclusive, foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial de Ponte Nova pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais.
Na aparência, a Bananada Cremosa com Canela tem cor marrom escura, textura lisa e brilhante, sem pedaços visíveis da fruta. O aroma remete à banana cozida com um toque quente de especiaria. Ao paladar, é intensamente doce, com a acidez natural da banana equilibrando o açúcar, e a canela aparece no final, sem dominar o conjunto.
Na tábua deste mês, a Bananada Cremosa com Canela funciona bem ao lado de queijos mais neutros ou salgados, como o Meia Cura de Cabra ou o Pedra Branca, criando o clássico contraste doce e salgado da culinária mineira. Também pode ser derretida em banho-maria e servida morna, como calda para panquecas ou sorvetes, ou simplesmente à colher, pura, do jeito que é consumida há quase um século em Minas Gerais.
Fonduta de Faggeta com Torradas Rústicas
O Faggeta é a versão que a Terra Límpida criou para o Fontina italiano, e é justamente com Fontina que se prepara a fonduta valdostana, um dos pratos mais tradicionais do norte da Itália. Esta receita adapta essa técnica clássica ao queijo brasileiro: o resultado é um creme aveludado, ideal para mergulhar pão quente numa noite fria.
Ingredientes (para 2 pessoas)
- 300g de Faggeta, cortado em cubos pequenos
- 200ml de leite integral
- 2 gemas
- 1 colher de sopa de manteiga
- Noz-moscada a gosto
- Pimenta-do-reino moída na hora
- 4 fatias de pão rústico, tostadas
Preparo
- Cozinhe o talharim em bastante água com sal até ficar al dente. Reserve 3 colheres de sopa da água do cozimento antes de escorrer.
- Em uma frigideira em fogo baixo, aqueça o Maranata Blend com as colheres de água do cozimento, mexendo sempre até obter um molho cremoso e homogêneo. Não deixe ferver.
- Adicione o talharim escorrido à frigideira e misture bem para envolver toda a massa no molho.
- Distribua em dois pratos fundos. Por cima, espalhe as nozes picadas e finalize com o mel em fio.
- Uma virada de pimenta-do-reino e um fio de azeite completam o prato.
Dica do curador: para uma versão com mais textura, finalize com avelãs tostadas picadas ou um fio de mel. Um Chardonnay com leve passagem por barrica acompanha bem a cremosidade da fonduta, e o café Dupan é uma boa forma de fechar a degustação.
