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Junho 2026

A AssinaCURA de junho chegou para você poder torcer para o Brasil acompanhado de uma seleção de queijos campeã!

O Lá de Madre é inspirado em queijos alpinos europeus e esta é a versão mais jovem, maturado por 6 meses. É um queijo que contrasta a textura firme com a massa ao mesmo tempo amanteigada, com sabor frutado. Colecionador de prêmios em diversos concursos pelo Brasil, recomendamos harmonizá-lo com vinhos brancos de muita personalidade ou vinhos tintos leves.

A faixa de carvão no centro da massa deste queijo não é enfeite e é resultado de uma das grandes tradições do mundo queijeiro. Uma fina camada de carvão vegetal protegia a massa do queijo, que era feita parte com o leite da manhã e parte com o leite da tarde. A família Possamai produz queijos há mais de três gerações, influenciada pelas origens italianas. Com 60 dias de maturação e casca alaranjada, é um queijo suave que revela sua essência a cada pedaço.

Este creme de queijo é resultado criativo — e cremoso — da junção dos dois queijos mais icônicos do Rancho Maranata: Reserva da Mantiqueira mais Maranata Ouro. Sem conservantes, é versátil a ponto de virar fondue, molho de carne, molho de massa ou onde sua imaginação permitir aplicá-lo.

Talvez um dos mais queridinhos da nossa terra, o requeijão em barra com raspa do tacho é envolvente e deixa qualquer receita ou sanduíche muito mais cremoso. A raspa nada mais é do que a parte tostada que fica no fundo do tacho durante o cozimento da massa. Isso traz uma mistura de sabores lácticos e tostados, o que é absolutamente perfeito para cafés da manhã nos dias frios do final do outono.

Para fechar, uma massa verdadeiramente artesanal e um mel verdadeiramente especial da Fazenda Saudade, de Ibertioga, de florada silvestre e nativa.

Conheça os queijos desta edição

Lá de Madre | Fazenda Santa Mônica — Madre de Deus de Minas, MG (6 meses)

Madre de Deus de Minas é uma cidade pequena no Campo das Vertentes, a mesma microrregião de São João del-Rei e Tiradentes, onde o queijo artesanal tem raízes profundas e influência europeia bem documentada. É nesse contexto que nasce o Lá de Madre, um queijo autoral produzido na Fazenda Santa Mônica com leite cru de vacas Jersey da própria fazenda — raça reconhecida pelo alto teor de gordura e pela riqueza sensorial do leite.

O nome é uma homenagem direta à cidade e ao legado queijeiro da região. Mas o queijo em si é uma criação contemporânea, que combina a tradição das Vertentes com técnicas de maturação de inspiração europeia. A massa é semi-cozida e passa por um processo de maturação que, na versão de 6 meses, já entrega um produto de complexidade notável sem ainda alcançar a intensidade das versões mais longas.

Para entender o que acontece nesses seis meses: a umidade vai deixando a massa gradualmente, as proteínas se transformam por ação enzimática, os aminoácidos se reorganizam e criam novos compostos aromáticos. O resultado é uma textura firme e untuosa ao mesmo tempo, que parece contraditória mas existe: a massa resiste ao corte e derrete na boca. O sabor é frutado, com acidez delicada, leve doçura e um fundo amanteigado. Nas versões mais maturadas, surgem cristais de tirosina, sinal inequívoco de maturação avançada e leite de qualidade. Na versão de 6 meses, eles podem aparecer nas bordas e conferem crocância pontual à degustação.

Medalha de Prata no 3º Mundial do Queijo Brasil 2024 confirma a qualidade de um queijo que ainda está em seu melhor momento de evolução.

Para harmonizar, os pares mais adequados seguem a tradição francesa de queijos de maturação média: um Pinot Noir de boa acidez e fruta vermelha fresca, ou um Chardonnay com leve passagem por carvalho. Um Beaujolais Villages é uma pedida elegante e menos comum, que valoriza os aromas frutados do queijo sem disputar com o sal. Em cerveja, uma Amber Ale equilibrada funciona muito bem. Retire da geladeira 20 minutos antes de servir.

Queijo Tipo Morbier | Queijaria Possamai — Pouso Redondo, SC

O Morbier é um queijo com mais de dois séculos de história. Ele nasceu na região de Franche-Comté, no leste da França, às margens da fronteira com a Suíça, em condições que hoje parecem improváveis: queijeiros que precisavam aproveitar o leite de duas ordenhas diferentes, da tarde e da manhã seguinte, separavam as duas camadas com uma fina película de carvão vegetal para que não se contaminassem durante a espera. O carvão cumpria uma função sanitária. Com o tempo, o gesto se tornou identidade: a faixa escura que divide a massa ao meio virou a marca registrada do queijo.

A Queijaria Possamai fica em Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e produz queijos artesanais há três gerações com leite da própria fazenda. A chegada ao Morbier é natural para uma queijaria com essa trajetória: é um queijo que exige técnica, cuidado com as duas camadas de massa e controle rigoroso do processo de maturação, que na versão Possamai dura aproximadamente 60 dias.

O resultado é um queijo de casca alaranjada — tratada com corante natural de urucum, referência direta à aparência do Morbier francês — e interior dividido pela faixa de carvão vegetal. A textura é macia e cremosa, com elasticidade presente. O sabor é suave e láctico nas notas iniciais, com um aroma mais pronunciado e levemente mineral que se intensifica conforme o queijo atinge temperatura ambiente. Não é um queijo de impacto imediato: ele se revela aos poucos.

Ouro no Mundial Queijo Brasil 2024 é o reconhecimento mais recente de um produto que já conquistou apreciadores de queijos finos pelo país.

Para harmonizar, um Pinot Noir leve ou um Merlot de média estrutura são escolhas clássicas que funcionam bem com a suavidade do Morbier. Um Chardonnay sem madeira também é um par elegante. Em cerveja, uma Porter ou uma IPA suave. Na tábua, sirva com fatias de maçã ou pera e geleia de frutas vermelhas. Sugerimos retirar o revestimento externo antes de consumir.

Maranata Blend | Rancho Maranata — Virgínia, MG

O Maranata Blend não é um queijo no sentido convencional: é um creme produzido pela mistura de dois dos queijos mais representativos do Rancho Maranata, o Reserva da Mantiqueira e o Maranata Ouro. A lógica é simples e precisa: pegar o que cada queijo tem de melhor e criar um produto com um perfil diferente de qualquer um deles individualmente.

O Reserva da Mantiqueira é um queijo de massa cozida inspirado nos queijos suíços, com maturação de 120 dias, olhaduras características formadas pelas bactérias propiônicas, sabor adocicado e textura amanteigada que derrete na boca. O Maranata Ouro é o queijo de 270 dias da casa, com massa dura, cristais de tirosina e sabor intenso, picante e amadeirado. Juntos, eles formam o Blend: a suavidade e o caráter suíço do Reserva encontram a intensidade e a complexidade do Ouro num creme pronto para uso, sem conservantes.

O resultado é um produto de sabor marcante e perfil versátil. A textura cremosa e levemente granulada pela presença dos dois queijos permite múltiplas utilizações: aquecido como fondue ou molho para massas e carnes, derretido sobre pão rústico, incorporado a um risoto no lugar do parmesão ralado, ou simplesmente servido em temperatura ambiente com torradas na tábua. O Blend não precisa de cerimônia para impressionar.

Para usar frio, sirva em temperatura ambiente sobre pão de fermentação natural ou torradas finas. Para uso quente, basta aquecer em banho-maria ou fogo baixo, sem deixar ferver, e usar como molho. A salinidade do produto já é equilibrada, então não é necessário adicionar sal nas preparações.

Requeijão em Barra com Raspas | Laticínios Moedense — Moeda, MG

Em 1983, Oliveira Fernandes da Silva tinha 150 litros de leite da própria fazenda e a memória do requeijão que sua mãe fazia no fogão a lenha quando ele era criança. Foi com esses dois ingredientes que a Moedense começou: um tacho grande, uma pá de madeira e a esposa Maria José na beira do fogo das seis da manhã às três da tarde. O que era produção familiar num quintal em Moeda, no Campo das Vertentes, cresceu gradualmente e hoje abastece mercados, empórios e assinaturas de queijo em todo o país.

O requeijão em barra é o produto mais tradicional da Moedense e o que carrega a história da família desde o início. A versão com raspas adiciona ao produto clássico os fragmentos caramelizados que se formam no fundo do tacho durante o processo de fabricação. Essas raspas não são um resíduo: são a parte do requeijão que ficou em contato mais longo com o calor e concentrou sabor, desenvolvendo notas tostadas e um caramelo sutil que o requeijão sem raspas não tem. É o mesmo princípio do fundo de uma paella ou do socarrat: o que raspa do fundo é o melhor.

A composição é direta: leite pasteurizado desnatado, creme de leite pasteurizado, sal fundente e bicarbonato de sódio. Sem amido, sem conservantes artificiais, sem corantes. A textura é firme e cremosa ao mesmo tempo, ideal para fatiar, derreter ou consumir puro. O sabor é lácteo, levemente salgado, com as notas tostadas das raspas percorrendo o fundo do paladar.

Na caixa deste mês, o requeijão em barra é o elemento de versatilidade. Derretido sobre o talharim da Penoni, cria um molho de queijo simples e direto. Fatiado e servido sobre torrada com o mel da Fazenda Saudade, transforma o café da manhã. Na tábua ao lado do Morbier ou do Lá de Madre, representa o lado mais afetivo e cotidiano da cultura queijeira mineira.

Macarrão Estilo Talharim | Alimentos Penoni

O talharim é uma das massas mais antigas da tradição italiana. De origem toscana, seu nome deriva do verbo tagliare — cortar — e descreve exatamente o que ele é: uma massa em fita, cortada à mão ou à máquina, fina e longa o suficiente para absorver molho em toda a superfície. É uma massa que pede presença: não funciona com molhos delicados demais nem com combinações que disputam com a textura da fita.

A Alimentos Penoni produz sua versão artesanal do talharim com a mesma lógica que rege os melhores produtos do gênero: ingredientes simples, processo cuidadoso e atenção ao ponto de cozimento. O resultado é uma massa de textura firme, que sustenta bem o al dente e funciona como base para uma variedade ampla de preparações.

Na caixa deste mês, o talharim da Penoni é o componente que transforma a degustação em refeição. Com o Maranata Blend aquecido como molho, cria uma combinação de altitude e cremosidade que precisa de poucos outros ingredientes para estar completa. Com o requeijão em barra da Moedense derretido com um fio de manteiga, entrega uma versão mineira de um prato de massa que não encontra equivalente em mais nenhum lugar.

Para cozinhar, use bastante água com sal a fervura intensa. O talharim artesanal cozinha mais rápido que as versões industriais: comece a provar a partir de 3 minutos. Escorra al dente, reserve um pouco da água do cozimento e use-a para ajustar a cremosidade do molho.

Mel | Fazenda Saudade — Ibertioga, MG

Ibertioga fica no Campo das Vertentes, no sul de Minas Gerais, em uma região de Mata Atlântica, pastagens nativas e flora diversa que oferece às abelhas uma variedade de fontes de néctar ao longo de todo o ano. Esse contexto não é detalhe: o sabor e o perfil de um mel dependem diretamente das flores que as abelhas visitaram, e a diversidade botânica de uma região define a complexidade do produto final.

A Fazenda Saudade produz mel em Ibertioga com foco na qualidade da colmeia e no respeito ao tempo natural das abelhas. O mel produzido em fazendas de pequeno porte, com manejo cuidadoso e sem uso de processos industriais de pasteurização a alta temperatura, mantém as enzimas, os pólen e os compostos aromáticos que diferenciam um mel de campo de um mel processado.

Vale entender o que acontece no mel ao longo do tempo: a cristalização é um processo natural que ocorre em qualquer mel puro e indica ausência de adulteração com xarope de açúcar. Um mel que nunca cristaliza quase certamente passou por processamento térmico ou foi diluído. A cristalização não compromete o sabor nem a qualidade, e pode ser revertida com aquecimento suave em banho-maria, sem ultrapassar 40°C para preservar as propriedades.

Na caixa deste mês, o mel da Fazenda Saudade cumpre o papel mais antigo e preciso da história da harmonização com queijos: a doçura do mel equilibra o sal e a acidez dos queijos maturados, cria contraste com a gordura e realça os aromas. Sobre o Lá de Madre, a combinação é refinada. Sobre o requeijão em barra da Moedense, é reconfortante. Com o Morbier, a doçura floral amacia a mineralidade do queijo.

Sirva em temperatura ambiente. Uma colher pequena sobre o queijo já é suficiente.

Talharim ao Maranata Blend com nozes e mel da Fazenda Saudade

Uma receita que usa três produtos da caixa numa combinação simples e elegante. O Blend aquecido vira molho, as nozes adicionam textura e amargor leve, e o mel finaliza com doçura que fecha o prato de forma surpreendente.

Ingredientes (para 2 pessoas)

200g de talharim Penoni

150g de Maranata Blend

3 colheres de sopa de água do cozimento da massa

30g de nozes grosseiramente picadas

1 colher de sopa de mel da Fazenda Saudade

Azeite extravirgem a gosto

Pimenta-do-reino moída na hora

Sal para a água do cozimento

Preparo

      1. Cozinhe o talharim em bastante água com sal até ficar al dente. Reserve 3 colheres de sopa da água do cozimento antes de escorrer.
      2. Em uma frigideira em fogo baixo, aqueça o Maranata Blend com as colheres de água do cozimento, mexendo sempre até obter um molho cremoso e homogêneo. Não deixe ferver.
      3. Adicione o talharim escorrido à frigideira e misture bem para envolver toda a massa no molho.
      4. Distribua em dois pratos fundos. Por cima, espalhe as nozes picadas e finalize com o mel em fio.
      5. Uma virada de pimenta-do-reino e um fio de azeite completam o prato.

Dica: Se quiser mais presença, acrescente lascas do Lá de Madre por cima do prato já montado. O queijo maturado derrete levemente com o calor da massa e adiciona uma camada extra de complexidade.

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