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Setembro 2026

A AssinaCURA de setembro chegou trazendo dois excelentes queijos para o dia a dia e outros dois bem frutados para iniciar a mudança da estação fria para o calor.

Do Cerrado Mineiro, o Arnaldo é a personificação do tradicional Queijo Minas Artesanal, com massa semidura e acidez presente e equilibrado. É o queijo para usar a todo e qualquer momento.

Da Fazenda do Padre, no Campo das Vertentes, o meia cura chega macio e de acidez quase imperceptível, com sabor lático que combina direto com o café coado na hora.

O Bugio Capa Preta é um queijo de Alagoa maturado por quase seis meses, massa cozida, cristais de tirosina, sabor frutado e picante. Ótimo em tábuas e finalizações de pratos. Combine-o com vinhos tintos de corpo médio.

O Caboclo da Fazenda Chapada Verde, em Eloi Mendes tem dez meses de maturação, é muito frutado, com notas de frutas secas, adocicado no início e picante no final. Combina com vinhos tintos, frutados, mel e castanhas.

Como acompanhamentos, a manteiga de búfala da Pérola da Serra vai te fazer esquecer todas as manteigas que você já viu.

E o grissini da Vermont vai te trazer como aperitivo a textura necessária para patês e molhos.

Conheça os queijos desta edição

Arnaldo | Queijaria Macaúba — Abadia dos Dourados, MG

No Alto Paranaíba, na Fazenda Santa Clara Dourados, em Abadia dos Dourados, a Queijaria Macaúba resgata uma tradição de cinco gerações no Cerrado Mineiro. Dalmo Pereira e Maria Aparecida, a Cida, retomaram esse ofício em 2014, adquirindo terras na mesma região onde os antepassados criavam animais e faziam queijo. A irmã de Cida, Maria do Rosário, também integra o trabalho da queijaria.

Cida hoje preside a Aprocer, associação que reúne os produtores do Queijo do Cerrado, região que abrange 19 municípios do Alto Paranaíba e do Noroeste Mineiro e que conquistou, em 2023, a Indicação Geográfica do produto. O Arnaldo carrega, portanto, a identidade de um terroir que ainda está consolidando seu reconhecimento nacional.

O queijo é feito com leite cru de vacas jersolanda, cruzamento entre Jersey e Holandesa, e tem 15 dias de maturação. Nesse período, passa por lavagens diárias que formam uma casca lisa e de tom amarelado, protegendo uma massa semidura, um pouco mais seca, com acidez presente e equilibrada.

É o queijo do dia a dia da caixa deste mês. Recebeu medalha de bronze no Mundial do Queijo Brasil em 2024, mas seu lugar mesmo é na rotina, sem cerimônia: um pedaço ao lado do café da manhã ou da tarde já é suficiente para aproveitá-lo bem.

Um café coado na hora é o par mais natural para o Arnaldo. Entre os vinhos, um branco leve e de acidez viva, como um Chardonnay sem passagem por madeira, acompanha sem disputar espaço com o sabor lácteo. Cervejas claras, como uma Pilsen ou uma Blonde Ale, também fazem companhia discreta.

Sirva em temperatura ambiente, retirando da geladeira uns 15 minutos antes, acompanhado de pão de queijo, goiabada ou uma geleia de frutas cítricas.

Meia Cura | Fazenda do Padre — Campo das Vertentes, MG

A Fazenda do Padre fica no Campo das Vertentes, próximo a Barbacena, e mantém um laticínio dentro da própria propriedade. Isso permite controle sobre cada etapa da produção, da alimentação do rebanho de gado Jersey e Holandês até a ordenha e a fabricação do queijo.

O minas meia cura da casa foi premiado com medalha de bronze no VII Prêmio Queijo Brasil, reconhecimento que reforça um trabalho construído a partir do leite da própria fazenda.

É um queijo macio, de acidez quase imperceptível, com sabor láctico evidente e a cor dourada característica da meia cura. A massa ainda guarda alguma umidade, o que garante um derretimento uniforme.

Como o Arnaldo, é pensado para o dia a dia. Não exige harmonizações elaboradas: um café coado, um pão quentinho ou uma tapioca já bastam para aproveitá-lo bem.

Combina com vinhos brancos leves ou espumantes brut, cuja acidez equilibra a suavidade do queijo. Em cerveja, uma Witbier de notas cítricas é uma boa companhia. Para quem prefere destilados, uma cachaça de mosto limpo, servida gelada, funciona bem ao lado dele.

Guarde-o na geladeira embrulhado em filme plástico e retire alguns minutos antes de servir, para que a massa amoleça e libere seu aroma.

Alagoa Bugio Capa Preta | Queijaria Bugio — Alagoa, MG

Em Alagoa, na Serra da Mantiqueira, a família de Valdeci Mendes de Andrade produz queijo desde a década de 1980, nas terras altas de 1.650 metros de altitude que dão nome à queijaria Bugio. O saber foi passado de pai para filho, e o trabalho rendeu à família reconhecimento do Ministério da Agricultura pela produção do queijo artesanal Alagoa.

O Bugio pode ser maturado de 40 dias a um ano, dependendo da versão. A peça que chega na caixa deste mês passou por 6 meses sob capa preta, a resina que protege a massa e concentra sabor ao longo da cura.

A massa é cozida, e já é possível notar cristais de tirosina distribuídos por ela, sinal do tempo de maturação e da quebra lenta das proteínas do leite. No paladar, é um queijo crocante, bem frutado e picante, com a capa preta segurando a umidade durante a longa cura.

Harmoniza bem com vinhos tintos de corpo médio a encorpado, como um Malbec ou um Syrah, cujos taninos sustentam a intensidade do queijo. Entre as cervejas, uma Porter ou uma Stout acompanham o fundo tostado da massa. Para destilados, uma cachaça envelhecida em carvalho, com notas de baunilha, fecha bem a experiência.

Retire da geladeira cerca de 30 minutos antes de servir, em lascas finas, ao lado de castanhas, frutas secas ou um mel de sabor mais intenso.

Cabloco | Fazenda Chapada Verde — Eloi Mendes, MG

Mileny Pereira Freitas tem 33 anos e é formada em Direito. Há cinco anos, decidiu deixar a carreira jurídica e voltar para a Fazenda Chapada Verde, em Eloi Mendes, para transformar em queijo o leite que o pai produzia.

A mudança também foi uma resposta à desvalorização do leite: verticalizar a produção significava agregar valor ao que a família já fazia havia gerações. Hoje Mileny produz ao lado do marido, e o Cabloco é um dos queijos que sintetizam essa transição.

É um queijo de massa cozida, maturado por 10 meses. O tempo de cura concentra sabor: é muito frutado, com um toque adocicado que dá lugar a uma picância no final de boca.

É um queijo para quem já está mais familiarizado com maturações longas, prova de que a nova geração de queijeiras mineiras também está produzindo peças de guarda.

Vinhos tintos frutados, como um Pinot Noir ou um Grenache, acompanham bem seu perfil doce e picante. Cervejas amadeiradas, como uma Bock ou uma Dubbel, dialogam com as notas mais concentradas do queijo.

Sirva em temperatura ambiente, com mel de sabor mais intenso ou geleia de frutas vermelhas, que reforçam o contraste doce e picante do queijo.

Manteiga de búfala | Pérola da Serra

Existe uma lógica quase alquímica em cozinhar cebola dentro de cerveja: o amargor torrado da Stout se funde à doçura natural do vegetal, sem deixar que ele caramelize da forma tradicional. É essa técnica que a Zappa Geleias, produtora artesanal do Paraná, usa para criar a Geleia de Cebola, Mostarda e Stout que acompanha a seleção deste mês.

O processo é lento: a cebola cozinha em fogo baixo, mergulhada na cerveja, até absorver seu perfil torrado sem perder textura. No final, sementes de mostarda são adicionadas inteiras, trazendo uma pequena explosão de pungência a cada colherada e um contraste de textura com a maciez da geleia.

O resultado é um acompanhamento de sabor complexo, entre o doce e o levemente amargo, com um fundo picante discreto. Funciona particularmente bem ao lado de queijos duros e de maturação mais longa, como o Madrepérola, mas também tem espaço garantido em sanduíches, tábuas de frios e até como base para molhos de carne.

Uma colher generosa sobre uma fatia de queijo firme, acompanhada de um pão rústico, já é suficiente para entender por que essa combinação de cerveja e cebola conquistou tanto espaço nas tábuas de queijo mais recentes. Guarde na geladeira depois de aberta e consuma dentro de poucas semanas para aproveitar toda a textura da mostarda em grão.

Grissini | Vermont

A chef Soraya Lessa desenvolveu, em Belo Horizonte, um molho que sintetiza boa parte da culinária mineira em um único vidro. O Molho de Rapadura do Empório Lessa nasce da combinação entre rapadura, gengibre, pimenta dedo-de-moça e mostarda em grãos, com cebola, tomate, alho, mel, suco de laranja e vinagre de maçã completando a receita.

O preparo é totalmente artesanal, feito à mão e sem pressa, o que resulta numa textura densa e aveludada. No paladar, o molho equilibra o doce concentrado da rapadura com um toque picante e uma leve acidez cítrica, criando um perfil agridoce que surpreende a cada colherada.

É um acompanhamento versátil por natureza: vai bem com queijos curados e de sabor mais marcante, mas também acompanha carnes suínas, grelhados e até um dadinho de tapioca, prato típico mineiro. Quem gosta de explorar combinações inesperadas pode experimentar uma colherada sobre sorvete de creme, contraste que a própria produtora recomenda.

Nesta seleção, o molho de rapadura é uma boa companhia para os queijos de sabor mais suave, como o Sereno e o Lasquinha, trazendo um contraponto doce e picante que valoriza a delicadeza da massa. Sem glúten e sem corantes, é um produto que carrega, em cada colherada, um pouco da tradição mineira reinventada com criatividade.

Broa de Fubá com Queijo Arnaldo

A broa de fubá é receita de família, do tipo que costuma render pedidos de repetição. Nesta versão, cubos de queijo Arnaldo entram na massa e derretem parcialmente no forno, criando bolsões de sabor entre a textura macia e levemente úmida da broa. Como o Arnaldo já é o queijo do dia a dia da caixa, funciona bem tanto puro na massa quanto salpicado por cima antes de assar.

Ingredientes (para 2 pessoas)

  • 2 ovos

  • 2/3 de xícara (160 ml) de óleo vegetal

  • 1 xícara (200g) de açúcar

  • 1 xícara (240 ml) de leite

  • 1 xícara (140g) de fubá

  • 2/3 de xícara (100g) de farinha de trigo

  • 1 colher (sopa) de fermento em pó

  • 1 pitada generosa de sal

  • 200g de queijo Arnaldo em cubos pequenos

Preparo

      1. Pré-aqueça o forno a 180°C e unte uma forma média com óleo ou manteiga.

      2. Bata os ovos com o óleo e o açúcar até formar um creme homogêneo.

      3. Acrescente o leite e misture bem.

      4. Junte o fubá e a farinha de trigo, mexendo até obter uma massa lisa, sem grumos.

      5. Adicione o fermento e o sal, incorporando delicadamente.

      6. Corte o queijo Arnaldo em cubos pequenos e misture à massa, reservando um punhado para polvilhar por cima.

      7. Despeje na forma untada e distribua o restante do queijo Arnaldo na superfície.

      8. Leve ao forno por 35 a 40 minutos, ou até dourar por cima e um palito sair limpo do centro.

      9. Deixe amornar por alguns minutos antes de desenformar e fatiar.

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