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Outubro 2026

A AssinaCURA de outubro chegou com queijos diferentes de tudo que você já encontrou por aí: um mix que vai te proporcionar uma verdadeira experiência e te fazer entender como o queijo mineiro saiu do patamar do queijinho com cafezinho para um grau de refinamento raramente encontrado.

O queijo Nete, da Matuh Queijaria, alcançou uma medalha de prata em concurso na França. É um queijo de leite cru, maturado por até quatro meses, com casca comestível muito rústica, sabor de castanhas e bastante personalidade.

O Gotardo buscou inspiração em queijos franceses alpinos, mas ganhou identidade própria bebendo da fonte abundante do Cerrado Mineiro. Um queijo firme e com muitas camadas sensoriais, da mineralidade a fungos e frutas verdes, tem acidez muito controlada e harmoniza bem com mel e geleia.

Da Serra da Mantiqueira vêm dois queijos distintos. O meia cura é macio a ponto de te fazer sentir abraçado, com a cremosidade de uma massa fermentada com iogurte. Já o conhecido Mantiqueira de Minas Reserva, da Dom Carmelo, traz notas frutadas e massa firme, que pede para finalizar pratos e refrescar dias mais quentes ao lado de bebidas geladas.

O guanciale defumado que acompanha o kit vai te possibilitar fazer um carbonara melhor que muitos restaurantes por aí. É o ingrediente principal do carbonara deste mês, com o Mantiqueira Reserva no lugar do pecorino.

Para agradar as crianças no mês dedicado a elas, trouxemos o doce de leite do Rancho Maranata. Inclusive dedicamos uma receita exclusiva de bolo de canela com doce de leite.

Aproveite com calma, tire os queijos da geladeira antes de servir, e bom feriado com a AssinaCURA.

Conheça os queijos desta edição

Nete | Matuh Queijaria — Estrela do Sul, MG

A palavra terroir aparece com frequência na queijaria brasileira, mas poucas marcas a colocam no centro da própria identidade como a Matuh. Em Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro, Marina Cavéchia construiu uma queijaria cujo nome já carrega a proposta: maturar, matutar, criar. É desse processo que nasce o Nete.

O Nete é feito com leite cru de vacas da raça Jersey, criadas soltas a pasto no rebanho próprio da queijaria. Não há uso de silagem; nos períodos secos, o feno substitui a alimentação fresca. A maturação se estende por até quatro meses, tempo em que os mofos naturais da câmara de cura formam uma casca rústica e cheia de personalidade.

O trabalho rendeu à Matuh a medalha de prata no Mondial du Fromage et des Produits Laitiers 2025, disputado em Tours, na França, um dos concursos mais importantes do calendário internacional de queijos.

Na boca, o Nete entrega notas de castanhas e um fundo selvagem que lembra cogumelos, com uma casquinha que participa ativamente da experiência junto com o recheio macio. É um queijo de sabor destacado e personalidade marcante, indicado para quem já aprecia queijos mais intensos.

Na harmonização, uma cerveja Bock ou uma American Red Ale acompanham bem o perfil tostado do Nete. Entre os vinhos, um branco de acidez viva contrasta de forma elegante com a intensidade do queijo.

Retire da geladeira cerca de 20 minutos antes de servir, protegendo o queijo em filme plástico ou recipiente fechado depois de aberto, para que não resseque. O tempo fora da geladeira permite que o Nete relaxe e revele toda a sua personalidade.

Gotardo | Minas Cabra — São Gotardo, MG

São Gotardo é conhecida como a capital nacional da cenoura, e é justamente esse legume que entra na alimentação das cabras da raça Saanen criadas por Daniel Ribeiro e sua família, no Alto Paranaíba mineiro.

O rebanho, formado por cerca de 30 cabras, dá origem a um queijo fabricado pela mãe de Daniel, Joana Ribeiro. O Gotardo é uma homenagem ao Tomme de Chèvre, clássico queijo de cabra dos Alpes franceses, adaptado ao terroir do Cerrado Mineiro.

De massa semi prensada, o Gotardo desenvolve uma casca mais firme, marcada pelos mofos naturais da câmara de cura, onde passa por uma maturação mínima de dois meses. O resultado é um queijo macio, sem os aromas mais intensos que costumam caracterizar os queijos de cabra.

A queijaria já foi premiada com a medalha de prata no Prêmio Brasil, reconhecimento que confirma o cuidado técnico por trás de uma produção pequena e essencialmente familiar.

No paladar, o Gotardo é levemente adocicado, com acidez discreta, uma porta de entrada tranquila para quem ainda não tem intimidade com queijos de leite de cabra. Uma cerveja estilo Bitter acompanha bem seu perfil suave, assim como um espumante brut, cuja acidez equilibra a cremosidade da massa.

Sirva em temperatura ambiente, retirando da geladeira cerca de 15 minutos antes, ao lado de mel ou uma geleia de frutas vermelhas, que reforçam o toque adocicado do queijo.

Meia Cura | Perroni Queijos — Itamonte, MG

Há cerca de trinta anos, o patriarca Zizo decidiu transformar em queijo o leite produzido nas encostas da Serra da Mantiqueira, em Itamonte. Hoje são as três filhas, Francielle, Isabela e Ana Paula, que conduzem juntas todo o processo produtivo.

O meia cura da casa é feito pela caçula da família, Isabela, e se tornou um dos queijos mais vendidos da queijaria. A receita usa leite pasteurizado, coalho, sal e iogurte natural como fermento, com maturação de cerca de 15 dias em sala de cura especializada.

O trabalho já rendeu medalha de prata no Festival Internacional de Araxá, em 2023, reconhecimento que confirma a consistência de um queijo pensado para agradar sem exigir muita experiência prévia com queijo artesanal.

De massa macia e cremosa, o meia cura tem sabor suave e é uma boa porta de entrada para quem está começando a explorar o universo do queijo mineiro. É versátil o suficiente para acompanhar tanto o café da manhã quanto uma tábua mais elaborada.

Na harmonização, um espumante brut ou um branco leve equilibram bem a suavidade do queijo. Entre as cervejas, uma Witbier de notas cítricas também faz companhia discreta, sem se sobrepor ao sabor lácteo do meia cura.

Guarde na geladeira embrulhado em filme plástico e retire alguns minutos antes de servir, para que a massa amoleça e libere seu aroma por completo.

Mantiqueira Reserva | Queijaria Dom Carmelo — Itamonte, MG

O nome Dom Carmelo é uma homenagem ao apelido do pai dos fundadores, Seu Carmelo, cuja foto estampa o rótulo do queijo até hoje. Foram os irmãos Alexandre e Renato que decidiram dar continuidade ao legado, também em Itamonte, na Serra da Mantiqueira.

A queijaria começou pela produção de muçarela e do queijo Mantiqueira de Minas, ainda em pequena escala, dividindo o leite entre a venda para laticínios e a fabricação própria. Com o tempo, toda a produção de leite da fazenda passou a ser destinada aos queijos, produzidos com protocolos de inspeção municipal.

O Mantiqueira Reserva é feito com leite cru, coalho, sal e soro-fermento, e passa por uma maturação controlada de 30 a 90 dias, um estágio intermediário entre o queijo mais jovem da casa e o Gran Reserva, de cura mais longa.

A massa firme e um pouco granulada guarda um sabor marcante e levemente picante, com aroma que remete a coco e especiarias e também a frutas amarelas como abacaxi e maracujá. É um queijo para quem já busca uma experiência mais intensa, seja puro em uma tábua, seja ralado sobre um prato quente.

Na harmonização, um vinho tinto leve, como um Pinot Noir, acompanha bem sua intensidade sem disputar espaço. Entre as cervejas, uma Amber Ale ou uma Pale Ale também fazem companhia interessante.

Retire da geladeira cerca de 20 minutos antes de servir, em lascas finas, ao lado de frutas secas como damasco ou nozes, e um fio de mel silvestre para reforçar as notas amanteigadas do queijo.

Guanciale | Don Cutello Charcutaria — Guaporé, RS

Foi um desejo afetivo que levou Patrícia Cavasin a empreender: reproduzir, em escala familiar, as técnicas de charcutaria que aprendeu com o falecido sogro, como o preparo da copa. Ao lado do marido Ezequiel, ela fundou a Don Cutello em Guaporé, na Serra Gaúcha, região de colonização italiana.

A produção é pequena e artesanal, com equipe reduzida que reúne o núcleo familiar e um funcionário da comunidade local. O foco declarado da casa é qualidade, não quantidade, e a queijaria já conta com selo de inspeção federal para seus embutidos tipicamente italianos.

O guanciale é feito a partir da papada suína, curada com sal e temperos aromáticos por semanas. O processo é o mesmo que dá origem a um dos ingredientes mais tradicionais da cozinha italiana, item indispensável em receitas como o carbonara e o amatriciana.

Depois de curado, o guanciale ganha uma gordura macia e saborosa, que derrete lentamente quando levado à frigideira, liberando um sabor intenso e aromático, diferente do bacon ou da pancetta. É esse derretimento que dá corpo aos molhos onde ele é usado.

Um vinho tinto encorpado acompanha bem o guanciale, equilibrando sua gordura e seu sabor concentrado. Também funciona bem substituindo azeite ou manteiga no preparo de outros pratos, como risotos e legumes salteados.

Nesta seleção, o guanciale é o ingrediente principal da receita deste mês, um carbonara tradicional com o queijo Mantiqueira Reserva no lugar do pecorino. Guarde-o na geladeira e corte em cubos ou tiras finas na hora de usar, para que a gordura renda ao máximo.

Doce de Leite | Rancho Maranata — Virgínia, MG

Na Serra da Mantiqueira, em Virgínia, o Rancho Maranata mantém viva uma receita de doce de leite passada entre gerações, feita com leite de vaca selecionado e cozida lentamente em tachos de cobre.

O processo é simples na composição, apenas leite, açúcar e bicarbonato de sódio, sem conservantes artificiais, mas exige tempo: é o cozimento lento que reduz a água do leite e permite que as proteínas reajam com o açúcar, na reação de Maillard, responsável pela cor e pelo sabor característicos do doce.

O doce de leite tradicional da casa já recebeu medalha de prata no Concurso Queijo Prêmio Brasil, reconhecimento que reforça a qualidade de um produto simples, mas exigente em técnica.

A textura é cremosa e levemente granulada, com sabor de leite caramelizado e um toque sutil de baunilha, o tipo de doce que remete a memórias de infância e cozinhas de fazenda mineira.

Combina bem com os queijos artesanais desta seleção, como o Gotardo e o Meia Cura, criando um contraste doce e lácteo interessante. Também é a base da receita deste mês, um bolo de canela finalizado com uma camada generosa de doce de leite.

Sirva em temperatura ambiente para que a cremosidade apareça por completo, seja puro, sobre uma torrada, ou como acompanhamento de queijos mais firmes e picantes.

Carbonara com Guanciale e Queijo Mantiqueira de Minas

A receita reúne dois produtos desta edição: o guanciale da Don Cutello, curado à moda italiana, e o queijo Mantiqueira Reserva, da Dom Carmelo, ralado no lugar do pecorino tradicional.

Ingredientes

  • 400g de espaguete

  • 150g de guanciale Don Cutello, em tiras finas

  • 4 gemas

  • 1 ovo inteiro

  • 100g de queijo Mantiqueira Reserva ralado, mais um pouco para finalizar

  • Pimenta-do-reino moída na hora, em boa quantidade: aqui é ingrediente da receita, não apenas tempero de finalização

  • Sal a gosto

Preparo

      1. Leve uma panela grande com água para ferver e tempere com sal.

      2. Cozinhe o espaguete até o ponto al dente, seguindo o tempo indicado na embalagem.

      3. Enquanto a massa cozinha, doure o guanciale em uma frigideira, em fogo médio, sem adicionar óleo, até que a gordura derreta e fique crocante. Deixe a gordura que soltar na frigideira, ela vai entrar no molho.

      4. Em uma tigela, bata as gemas, o ovo inteiro e o queijo Mantiqueira Reserva ralado. Acrescente uma colher (sopa) da gordura do guanciale, ainda morna, e bastante pimenta-do-reino: na carbonara, a pimenta é ingrediente, não só tempero, então não economize.

      5. Reserve uma xícara da água do cozimento da massa antes de escorrer.

      6. Tempere a mistura de ovos com um pouco da água reservada, ainda quente, mexendo sem parar. Esse passo aquece os ovos aos poucos e evita que talhem quando encontrarem a massa quente.

      7. Escorra o espaguete e transfira direto para a frigideira do guanciale, fora do fogo, misturando bem.

Bolo de Canela com Doce de Leite

Um bolo simples de preparar, perfeito para o feriado, com o doce de leite tradicional do Rancho Maranata derretido por cima ainda quente.

Ingredientes

  • 3 ovos

  • 1 xícara (200g) de açúcar

  • 1/2 xícara (120ml) de óleo vegetal

  • 1 xícara (240ml) de leite

  • 2 xícaras (280g) de farinha de trigo

  • 1 colher (sopa) de fermento em pó

  • 1 colher (chá) de canela em pó

  • 1 pitada de sal

  • 200g de Doce de Leite Rancho Maranata

  • Canela em pó para polvilhar

Preparo

      1. Pré-aqueça o forno a 180°C e unte uma forma média com furo central.

      2. Bata os ovos com o açúcar até formar um creme claro e fofo.

      3. Acrescente o óleo e o leite, misturando bem.

      4. Junte a farinha, o fermento, a canela e o sal, incorporando aos poucos até obter uma massa lisa.

      5. Despeje na forma untada e leve ao forno por 35 a 40 minutos, ou até um palito sair limpo do centro.

      6. Deixe amornar por 10 minutos antes de desenformar.

      7. Ainda morno, cubra o bolo com o Doce de Leite Rancho Maranata, deixando escorrer pelas laterais.

      8. Finalize com uma polvilhada de canela em pó e sirva.

        Dica: se preferir um efeito marmorizado, aqueça levemente o doce de leite antes de cobrir o bolo, ele escorre melhor e cobre a superfície de forma mais uniforme.

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