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Novembro 2025

A AssinaCURA de novembro chegou trazendo uma seleção diversa, já em clima de preparação para as festas de final de ano.

O Meia Cura de Búfala, da Queijaria Pérola da Serra, é produzido com leite tipo A2A2. De textura firme e úmida, combina cremosidade e leve dulçor, com notas de manteiga e castanha. Um queijo puro e elegante, que expressa a delicadeza do leite de búfala em sua forma mais mineira.
O Capela Velha, na sua versão merendeiro é feito com leite cru e maturado sobre tábuas de madeira, carrega o sabor profundo do terroir da Serra da Canastra. A versão Merendeiro é rara de se encontrar e tem um consumo mais dinâmico.
O Araucária Chimichurri, da Queijaria Di Capre, é praticamente uma coalhada de leite de cabra, com acidez láctea marcante, um toque herbal intenso e uma textura que preenche sua boca. Perfeito para dias mais quentes, harmoniza lindamente com bebidas leves e refrescantes.
Encerrando a seleção, o Comté da Serra das Antas é inspirado em um clássico queijo dos Alpes franceses, mas com alma mineira. É um queijo de notas frutadas, salgadas, picantes e de nozes. Reserve um vinho especial para apreciar cada nuance desse sabor.
O premiado doce de leite do Rancho Maranata e uma bela peça de copa lombo defumada completam o kit de novembro.

Conheça os queijos desta edição

Queijo Capela Velha – Versão Merendeiro

O Queijo Canastra Capela Velha nasce na região de São Roque de Minas, no coração da Serra da Canastra, onde o relevo, o clima e a vegetação conferem ao leite um caráter único e profundamente ligado ao território. Produzido artesanalmente na Fazenda Capela Velha, a partir de leite cru de vacas criadas em pasto, o queijo é elaborado com o tradicional “pingo”, coalho e sal — uma receita simples, mas que carrega séculos de tradição. Cada peça é moldada e prensada à mão, depois curada em tábuas de madeira, onde o tempo e o ambiente natural desenvolvem a casca amarelada e o sabor característico que distingue o verdadeiro Canastra.

Sua textura é firme, mas amanteigada, e o aroma traz notas de leite fresco, manteiga e leve toques de nozes. Quando jovem, apresenta sabor delicado e equilibrado, com um fundo levemente ácido. À medida que amadurece, o Capela Velha ganha corpo, complexidade e uma persistência marcante na boca, revelando nuances de frutas secas e umami. É um queijo que expressa elegância e identidade, sem perder o perfil rústico que o torna autêntico.

O Capela Velha é reconhecido dentro e fora do Brasil, acumulando importantes prêmios: medalha de prata no Mondial du Fromage, na França, medalha de bronze na edição seguinte do mesmo concurso, além de medalhas em competições estaduais e o ouro no Prêmio Queijo Brasil de 2023. Essas conquistas reafirmam sua excelência e a consistência da produção familiar, que se mantém fiel aos métodos tradicionais da Canastra.

Na harmonização, o queijo se mostra versátil. Combina de forma encantadora com vinhos tintos de corpo médio, como Merlot e Cabernet Franc, ou com espumantes brut, que equilibram sua untuosidade. Também pode acompanhar cafés especiais, cervejas artesanais leves, ou simplesmente ser apreciado com goiabada, doce de leite ou geleias de frutas vermelhas. Em tábuas de queijos, brilha tanto sozinho quanto ao lado de outros queijos de maturação média. Quando aquecido, ganha textura cremosa e sabor intenso, perfeito para pães de fermentação natural ou receitas simples e caseiras.

Queijo tipo Comtè

O Comté é um dos grandes queijos da França, produzido na região de Jura, próxima à fronteira com a Suíça. Feito exclusivamente com leite cru das vacas das raças Montbéliarde e Simmental, alimentadas em pastos de altitude, ele carrega o selo de Denominação de Origem Controlada (AOC) desde 1958 — uma das mais antigas da França. Essa denominação garante que cada etapa da produção siga regras rígidas, do manejo do gado à maturação em caves naturais, que dura no mínimo quatro meses, podendo chegar a mais de dois anos. O resultado é um queijo de massa cozida e prensada, com textura firme e elástica, sabor profundo e evolutivo, que vai de notas de manteiga e castanhas a nuances tostadas e frutadas à medida que envelhece. É um queijo de terroir por excelência, no qual o solo, o clima e o saber humano se traduzem em complexidade e identidade.

Inspirado nesse ícone francês, o queijo tipo Comté produzido pela Queijaria Serra das Antas, em Bueno Brandão, Minas Gerais, representa uma bela adaptação brasileira desse estilo europeu. Feito também com leite cru e técnicas tradicionais de cozimento da massa, ele mantém a estrutura firme e o corte limpo que caracterizam os grandes queijos de montanha. A diferença está no terroir mineiro: o leite das vacas da Serra da Mantiqueira traz notas mais suaves e amanteigadas, com leve toque adocicado e aromas de capim fresco e flores silvestres. A maturação controlada, conduzida pela família Zardo, confere equilíbrio entre sabor, textura e acidez, resultando num queijo de personalidade marcante e ao mesmo tempo acolhedora.

O Comté francês e o tipo Comté da Serra das Antas se encontram no ponto em que tradição e reinvenção se cruzam. Ambos são frutos de regiões montanhosas, de produtores que entendem o valor do tempo e da matéria-prima, e que veem no queijo mais do que um alimento — uma expressão cultural. O mineiro, no entanto, carrega o calor do Brasil em sua suavidade e na forma como se integra à nossa mesa.

Na harmonização, o Comté francês costuma brilhar com vinhos brancos encorpados, como Chardonnay do Jura, ou tintos leves, como Pinot Noir. O brasileiro, mais delicado, combina bem com espumantes brut, cervejas tipo Vienna Lager e vinhos brancos frutados. Em tábuas, é excelente ao lado de castanhas, frutas secas e mel, e quando derretido, revela uma textura aveludada perfeita para gratinar massas ou acompanhar pães rústicos.

Araucária Chimichurri

A Queijaria Di Capre é uma queijaria artesanal localizada em Itanhandu, no coração da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Fundada em 2020 por Júlio César Cunha de Souza e sua esposa Iracema, a Di Capre surgiu como resposta a um desafio: a dificuldade de escoar o leite de cabra durante a pandemia. Para contornar essa situação, Júlio iniciou a produção de queijos maturados 100% artesanais, inspirados em clássicos europeus, mas com identidade local.

Com o tempo, a queijaria expandiu seu portfólio, oferecendo uma extensa variedade de queijos de cabra e até doce de leite. Atualmente, a Di Capre beneficia cerca de 400 litros de leite por dia.

A queijaria também e amplamente premiada em concursos no Brasil e exterior, estabelecendo-se como uma das principais queijarias artesanais dedicadas à cultura caprina.

A seleção do plantel é fundamental para produção de leite de altíssima qualidade e rendimento, já que o leite de cabra rende mais na produção de queijos do que o leite de vaca.

Dentre o extenso catálogo de queijos derivados, selecionamos o queijo Araucária Chimichurri que e uma massa láctea, muito próxima da coalhada. É inspirado no Buchette que é um queijo de origem francesa, e que seu nome significa literalmente “tronquinho” em francês, em alusão ao seu formato cilíndrico, pequeno e elegante. A textura é macia e delicada, variando entre um interior quase cremoso.

No paladar, o Araucária apresenta notas lácteas frescas, com acidez evidente, e frescor trazido pelo tempero que já o torna apto a consumo. É um queijo que expressa elegância e simplicidade ao mesmo tempo, conquistando tanto iniciantes quanto apreciadores mais experientes de queijos de cabra.

É muito versátil na cozinha: pode ser servido em fatias sobre pães rústicos, compor saladas frescas, ou acompanhar frutas como figos e peras. Harmoniza bem com vinhos brancos leves (como Sauvignon Blanc e Chenin Blanc) ou espumantes secos, realçando sua delicadeza.

O Buchette deve ser mantido refrigerado, mas, como todo bom queijo artesanal, revela sua melhor expressão quando consumido em temperatura ambiente. Basta retirá-lo da geladeira e da embalagem cerca de 30 minutos antes de servir.

Meia Cura de Búfala

O queijo Meia Cura de Búfala é uma novidade que traduz como as queijarias podem trazer novidades, mas mantendo ainda a tradição do queijo no estágio de maturação mais comum de Minas Gerais. Produzido a partir do leite fresco de búfalas (tipo A2A2), ele nasce com uma textura firme e elástica, mas ainda úmida e macia, resultado do processo de cura controlada que lhe dá o nome. O leite de búfala, mais rico em gordura e proteínas que o de vaca, confere ao queijo um sabor naturalmente adocicado e uma cremosidade inconfundível, capaz de envolver o paladar com delicadeza e persistência. Sua cor branca e o brilho sutil da massa revelam a pureza do leite, enquanto o aroma remete ao frescor do campo e à manteiga recém-batida.

O sabor, inicialmente doce e lácteo, ganha leve complexidade, com notas que lembram castanhas e um toque ácido muito sutil, responsável por equilibrar a untuosidade característica do leite de búfala. É um queijo que amadurece com elegância, sem se tornar agressivo, mantendo sempre a sensação de frescor e pureza.

Versátil, o Meia Cura de Búfala pode ser apreciado em praticamente qualquer momento do dia. No café da manhã, combina com pães artesanais e mel; no almoço, brilha derretido sobre massas, risotos e legumes grelhados; à noite, encontra seu par ideal em vinhos brancos frutados, espumantes brut ou cervejas leves de trigo. Também harmoniza com frutas frescas — especialmente figo, pêssego e uva — e com geleias cítricas, que realçam seu perfil amanteigado e equilibrado.

Mais do que uma variação do tradicional queijo mineiro, o Meia Cura de Búfala representa uma evolução sensorial dentro da queijaria artesanal brasileira. Ele entrega um queijo de alma generosa e textura impecável, que representa o cuidado da Queijaria Pérola da Serra.

Acompanhamentos

Para completar, a gente ainda mandou o premiado doce de leite do Rancho Maranata e uma bela peça de copa lombo defumada.

Receita: Sanduiche de Copa Lombo defumado com queijo meia cura de búfala

Ingredientes (para 2 sanduíches)

Um sanduíche de sabores equilibrados e textura perfeita, em que o defumado da copa lombo se encontra com a cremosidade do queijo meia cura de búfala e o frescor ácido dos picles.

  • 4 fatias de pão rústico ou de fermentação natural
  • 100 g de copa lombo defumado em fatias finas
  • 120 g de queijo meia cura de búfala fatiado
  • 2 colheres de sopa de picles fatiados (pepino, cebola roxa ou legumes mistos)
  • 1 colher de sopa de manteiga ou azeite de oliva
  • 1 colher de chá de mostarda de Dijon (opcional)
  • Folhas frescas de rúcula ou agrião
  • Pimenta-do-reino moída na hora, a gosto

Preparo

  1. Aqueça uma frigideira grande ou uma chapa em fogo médio e unte levemente com manteiga ou azeite.
  2. Toste as fatias de pão dos dois lados até que fiquem douradas e crocantes. Retire e reserve.
  3. Na mesma frigideira, aqueça rapidamente as fatias de copa lombo apenas para liberar o aroma defumado e aquecer a carne.
  4. Monte o sanduíche: sobre uma fatia de pão, espalhe um pouco de mostarda, coloque o queijo meia cura de búfala, a copa lombo quente e os picles fatiados. Acrescente as folhas de rúcula ou agrião e tempere com pimenta-do-reino.
  5. Feche com a outra fatia de pão e leve novamente à frigideira, pressionando levemente com uma espátula para que o queijo comece a derreter. Vire e repita o processo do outro lado.
  6. Corte ao meio e sirva em seguida, enquanto o queijo está macio e o picles traz o contraste de acidez e frescor.

Dica: para um toque especial, adicione um fio de mel sobre o queijo antes de fechar o sanduíche. O leve dulçor combina perfeitamente com o salgado da copa lombo e a acidez dos picles, criando um equilíbrio de sabores irresistível.

Este é um sanduíche que equilibra força e leveza, com o queijo trazendo suavidade, a copa lombo oferecendo profundidade e os picles completando o conjunto com vivacidade. Cada mordida é uma combinação de texturas e aromas que desperta o apetite e convida a repetir.

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