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fevereiro 2026

A AssinaCURA de março chegou te convidando para uma pequena viagem pelo universo dos queijos brasileiros.

Reunimos estilos diferentes e produtos que mostram como o leite, o tempo e a tradição criam sabores únicos.
De Castro no Paraná o queijo tipo gouda maturado por 12 meses é um queijo que revela claramente a magia da maturação. O tempo transforma uma massa macia e elástica em quebradiça e amanteigada, repleta de cristais de tirosina. No sabor surgem notas de caramelo, manteiga tostada, castanhas e frutas secas, equilibrando doçura natural e intensidade.
O requeijão de barra da Pérola da Serra é uma versão especial de um clássico brasileiro. Diferente do requeijão cremoso, ele é firme e cortável, mas extremamente macio e untuoso na boca. O leite de búfala traz cor branca e sabor mais rico, com notas amanteigadas e delicadamente adocicadas.
O Queijo Canastra do Mauro é produzido com leite cru na Serra da Canastra. Feito com leite coalho pingo e sal, ele apresenta textura macia, sabor lácteo intenso e leve acidez, podendo revelar notas de manteiga e castanhas e uma casca natural comestível e com presença dos mofos locais.
Apesar da cara de pouco amigos por causa de sua casca natural, o Cuestinha revela uma massa cremosa, delicada e com aromas de manteiga fresca, castanhas e leve toque terroso.
Para acompanhar esta seleção incrível, o premiado chocolate Luzz com 52% de cacau vai transformar sua relação com chocolates brasileiros. Depois você volta aqui para me agradecer… E para tornar sua experiência ainda mais completa, geleias cítricas da Delichat vão deixar seus dias mais refrescantes.
Mais detalhes dos queijos no nosso site.

Conheça os queijos desta edição

Gouda 12 meses – Melkland

Seguindo a mesma tradição de seus conterrâneos holandeses, a Melkland acaba de liberar o já esgotado queijo tipo Gouda com 12 meses de maturação que é um excelente exemplo de como o tempo transforma um queijo. Originário da tradição queijeira dos Países Baixos, o Gouda jovem costuma ser macio, levemente adocicado e amanteigado. Porém, ao atingir cerca de um ano de maturação, ele entra em uma fase muito mais complexa, intensa e cheia de personalidade!

Nesse estágio, a textura se torna mais firme e ligeiramente quebradiça, e é comum surgirem pequenos cristais crocantes — resultado da cristalização de aminoácidos durante o envelhecimento. No aroma e no sabor aparecem notas de caramelo, manteiga tostada, castanhas e leve toque de frutas secas, com um equilíbrio interessante entre doçura natural do leite e um salgado equilibrado.

Na harmonização, este espetáculo de 12 meses funciona muito bem com vinhos brancos estruturados, como um Chardonnay com passagem por madeira, ou com vinhos tintos de taninos macios, como um Pinot Noir. Também combina de forma clássica com cervejas do estilo Dubbel ou Bock, cujas notas maltadas e amadeiradas conversam com os sabores caramelizados do queijo. Para acompanhar, aposte em nozes, amêndoas, mostarda de grãos ou um toque de mel, criando um contraste delicioso entre doçura, gordura e textura.

É um queijo que agrada tanto iniciantes quanto apreciadores experientes, pois oferece complexidade sem perder a elegância, sendo perfeito para tábuas de queijo mais sofisticadas ou para degustações comparativas de maturação.

A Melkland Boutique de Queijos é uma pequena queijaria familiar localizada na colônia Castrolanda, no município de Castro, no estado do Paraná, uma região reconhecida nacionalmente pela forte tradição leiteira e pela influência da imigração holandesa na produção de queijos. Esse contexto cultural molda o estilo da Melkland, que trabalha com receitas inspiradas na tradição europeia, especialmente na escola holandesa de queijaria.

A história da Melkland está diretamente ligada a um projeto familiar liderado por Agnes e Marco Van der Vinne, que já atuavam na pecuária leiteira antes de decidir verticalizar a produção e transformar o leite da propriedade em queijos artesanais. A queijaria surgiu como uma estratégia de diversificação da fazenda e rapidamente passou a produzir queijos especiais utilizando leite de alta qualidade, muitas vezes proveniente de vacas da raça Jersey, valorizado pela riqueza de gordura e sabor.

O próprio nome Melkland vem da junção de duas palavras do holandês — melk (leite) e land (terra), refletindo tanto a herança cultural da região quanto a ligação da família com a produção leiteira.

Entre os produtos elaborados pela queijaria estão queijos inspirados em estilos europeus, como gouda, parmesão e cheddar, além de criações autorais — entre elas um queijo chamado “Castro”, cuja casca é lavada com cerveja artesanal produzida na própria cidade. Essa combinação de tradição e criatividade tem ajudado a posicionar a Melkland como um dos exemplos do crescimento da queijaria artesanal na região dos Campos Gerais.

Requeijão em Barra de Búfala – Pérola da Serra

O requeijão de barra de leite de búfala é uma versão especial de um dos produtos mais tradicionais da cultura queijeira brasileira. Diferente do requeijão cremoso amplamente conhecido hoje, o requeijão de barra é um produto mais antigo, firme e cortável, que nasce a partir da fusão da massa láctea obtida do leite coagulado, posteriormente trabalhada com calor até adquirir textura homogênea e elástica.

Quando produzido com leite de búfala, o resultado ganha características ainda mais marcantes. O leite de búfala possui naturalmente maior teor de gordura, proteínas e sólidos totais, o que confere ao requeijão uma textura particularmente macia, untuosa e levemente elástica, além de um sabor mais rico e delicadamente adocicado. A cor tende a ser mais branca, já que o leite de búfala praticamente não contém caroteno, diferentemente do leite de vaca.

No paladar, o requeijão de barra de búfala apresenta notas lácteas bem marcantes, amanteigadas e muito limpas, com leve acidez equilibrando o dulçor mais característico do leite de búfala. Tem uma textura que derrete suavemente na boca, sem perder a estrutura ao corte.

Na cozinha, é extremamente versátil. Pode ser servido em fatias em tábuas de queijos, levemente aquecido para realçar sua cremosidade ou utilizado em preparações tradicionais brasileiras, como recheio de pães, tapiocas, sanduíches quentes, assim como tortas de frango e camarão. Também combina muito bem com mel, goiabada ou compotas de frutas, criando um contraste clássico entre doce e salgado.

Para harmonizar, bebidas com boa acidez funcionam muito bem. Espumantes brut, vinhos brancos frescos ou até cervejas do estilo witbier ajudam a equilibrar a riqueza do queijo.

Canastra do Mauro

O Queijo Canastra do Mauro é um classico da tradição queijeira da Serra da Canastra, em Minas Gerais. Produzido de forma artesanal com leite cru, ele segue práticas transmitidas por gerações de produtores da região, nas quais o leite recém-ordenhado é transformado em queijo poucas horas depois, preservando ao máximo as características naturais do terroir local.

A produção mantém elementos clássicos da tradição canastreira, como o uso do “pingo” — fermento natural obtido do soro do dia anterior — que garante identidade microbiológica própria a cada fazenda. Durante a maturação, os queijos são virados e cuidados diariamente, desenvolvendo uma casca natural amarelada e uma textura que evolui com o tempo: mais macia e úmida quando jovem, tornando-se progressivamente mais firme e complexa conforme amadurece.

No paladar, o queijo Canastra do Mauro costuma apresentar notas lácteas marcantes, leve acidez e um toque amanteigado, com nuances que podem lembrar castanhas, manteiga fresca.

Na mesa, é um queijo extremamente versátil. Pode ser servido em tábuas de queijos, acompanhado de pão de fermentação natural ou de clássicos mineiros como goiabada e doce de leite. Também funciona muito bem derretido em preparações quentes, como em pães de queijo, sanduíches ou gratinados, para aqueles que querem trazer mais personalidade para suas receitas.

Para harmonizar, bebidas que valorizem sua acidez natural são excelentes escolhas. Espumantes brut, vinhos brancos frescos ou tintos leves como um Pinot Noir criam equilíbrio interessante. Entre as cervejas, estilos de perfil maltado suave, como Blonde Ale ou Saison, realçam as notas lácteas e a complexidade do queijo.

Cuestinha - Pardinho

O Queijo Cuestinha, produzido pela Pardinho Artesanal, é um dos exemplos mais interessantes da nova geração de queijos autorais brasileiros. Ele nasce no município de Pardinho, no interior do estado de São Paulo, em uma região conhecida como Cuesta Paulista, onde altitude, clima e manejo do gado contribuem para um terroir bastante particular.

O Cuestinha é produzido artesanalmente com leite cru de vacas criadas a pasto, principalmente de raças como Gir e Girsey, conhecidas pela riqueza de gordura e pela intensidade aromática do leite. A fabricação acontece em tachos de cobre e segue práticas cuidadosas de afinagem em caves subterrâneas, onde temperatura e umidade controladas favorecem o desenvolvimento da casca e da complexidade de aromas. Seu período de maturação costuma ficar em torno de 45 a 60 dias, tempo suficiente para criar um equilíbrio interessante entre frescor e profundidade de sabor.

Visualmente, é um queijo de casca rústica com fungos naturais, que pode ser consumida e contribui bastante para o perfil sensorial. A massa é clara, macia e cremosa, liberando aromas lácteos que lembram manteiga fresca, castanhas e notas levemente adocicadas. Na boca, apresenta equilíbrio entre acidez e sal, com um final delicadamente amendoado e, na casca, nuances mais intensas, terrosas e cuja casca transmite um odor característico de amônia, advindo das cavernas.

Na mesa, o Cuestinha é um queijo muito versátil. Funciona bem em tábuas acompanhado de pães artesanais, mel, geleias ou castanhas, e harmoniza especialmente com vinhos brancos de boa acidez, tintos leves ou cervejas de perfil farmhouse, como uma Saison.

O reconhecimento desse queijo também aparece nas premiações internacionais: o Cuestinha já conquistou medalhas de ouro no Mondial du Fromage, na França, e no Mundial do Queijo do Brasil, consolidando-se como um dos rótulos mais celebrados da queijaria artesanal paulista.

Um produto brasileiro, autoral e sofisticado, que combina técnica, terroir e sensibilidade na maturação, mostrando como a queijaria nacional vem ganhando personalidade própria no cenário internacional.

Acompanhamentos

Para acompanhar esta seleção incrível, o premiado chocolate Luzz com 52% de cacau vai transformar sua relação com chocolates brasileiros. Depois você volta aqui para me agradecer… E para tornar sua experiência ainda mais completa, geleias cítricas da Delichat vão deixar seus dias mais refrescantes.

Receita: Salada refrescante de pepino, uva verde e Pérola da Mantiqueira

Ingredientes

Para 2 ou 3 pssoas

  • 1 pepino japonês fatiado bem fino
  • 1 xícara de uvas verdes sem sementes, cortadas ao meio
  • 1 punhado generoso de rúcula ou folhas baby
  • 1 Pérola da Mantiqueira
  • 1 colher de sopa de hortelã fresca picada
  • 1 colher de sopa de cebolinha picada
  • Nozes ou castanhas levemente tostadas (opcional, para crocância)

Molho

  • Suco de ½ limão siciliano
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva extra-virgem
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto

Preparo

  1. Em uma travessa, espalhe as folhas verdes.
  2. Distribua o pepino e as uvas por cima.
  3. Quebre o boursin em pedaços rústicos e coloque delicadamente sobre a salada.
  4. Finalize com hortelã, cebolinha e as castanhas.
  5. Misture os ingredientes do molho, regue a salada e ajuste o sal na hora de servir.

Dica: sirva bem gelada. Se quiser elevar ainda mais, acrescente raspas de limão siciliano ou um fiozinho de mel para um contraste agridoce delicioso.

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